domingo, 9 de dezembro de 2007

Walk The Blue Line #09

[acho que você não precisa de mim

assim como
eu preciso de você]
Quantas vezes nada parece se adaptar. Ou nada parece ter relevância.
As coisas acontecem. Não há mais agonia, nem perplexidade.
Todas as mentiras trazem consigo a verdade, subliminar. Mentimos, mas não somos farsantes.
O mar não rejeita um rio, o tempo segue seu fluxo, as cadeias nunca terminam.
Não sei onde quero chegar.
E que o amanhã chegue, como um bálsamo.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Walk The Blue Line #08

[você me deu a chave,
mas eu tive medo de abrir aquela porta.]

Esconderam-se atrás das oportunidades nunca vindas,
Sem saber que elas moram no acaso
E que elas nunca buscam, elas nunca os guiam pelas mãos.
Elas aguardam, olhando, esperando sozinhas que vão até elas os seus futuros donos.
As oportunidades são vadias e esperam nas esquinas. E vão com o primeiro que tem coragem de arrastá-la consigo.
Sem iniciativa, muitos as admiram de longe,
Sem saber, porém, que poderiam tomá-las para si.
Mas os trens passam.
E não voltam para buscar os atrasados.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Walk The Blue Line #06

[de repente percebi que faltava algo.]

Assim, do nada.
Poderia falar de tantas coisas
Mas no fim resumo tudo àquela perplexidade calada.
Como na frente de um pelotão de fuzilamento - cala a sua angústia.
Quando as cortinas caem e ninguém tem nada a dizer.
Num instante visualizei;
E foi um tapa na cara
que senti com anos-luz de atraso.

acho que o que faltou, fui eu.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Walk The Blue Line #05

[quando tudo mais falhar,

finja de morto.]

Sem palavras.
Todas elas se perderam esses dias.

terça-feira, 6 de março de 2007

Walk The Blue Line #04

[conseguirei te encontrar novamente, um dia?]

Perder-se por aí é fácil. Mais fácil que achar.

não se perca.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Walk The Blue Line #03

[eu quis te mostrar uma coisa,
mas você nem notou]

É possível definir quem errou? Talvez seja minha a culpa primária.
Deixou-me andando só, desarmado. E não conheço seus motivos.
Por acaso faria alguma diferença? Que diferença faria?
O que faria se estivesse no meu lugar?

Não fujo. Mas não espero cartas que nunca vão chegar.
[nem quero reler velhas cartas.

sábado, 3 de março de 2007

Walk The Blue Line #02

[naquele dia, pensei que fôssemos nos reunir para conversar,
mas alguém ligou a televisão.]

Não se quer interagir, querem ser apenas a platéia de um show banal de onde tantas mensagens de festim são lançadas a esmo.
Não querem ser lembrados de que suas ações têm significados realmente reais. Querem os fatos virtualmente irreais.
Nem mesmo o silêncio é desejável, não querem espaço para pensar, pois mesmo a consciência pode ser cruel.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Walk The Blue Line #01

[o que importa todo o conhecimento do universo, se não tiver com quem rir...?]

Primeiro post. Primeiro desenho.
Presente de aniversário para uma amiga.

Alguns sistemas são obsoletos - e por isso mesmo nos são impostos.
Conhecimentos estéreis, projeções pouco moldáveis por nosso próprio juízo - tal qual nos indicam.
Mas talvez esse seja o único caminho de saída desse buraco. E para fora dele, talvez poderemos conhecer uma ciência real, diferente dessa ordinária que aqui temos.

E ao invés de me lamentar, quero rir em honra aos meus amigos, pois encontrá-los, sim, não foi em vão.